8 de fev. de 2013

Notícias

GNOME planeja novo modelo de segurança para os apps desktop


Durante a GNOME Developer Experience Hackfest na FOSDEM 2013 muita coisa foi discutida sobre o futuro do GNOME, inlcuindo a recomendação de JavaScript como uma das linguagens preferenciais para a criação de aplicativos. Há um outro destaque, herdado da experiência com os aplicativos mobile: alguns desenvolvedores planejam um sistema de empacotamento de apps com uma espécie de sandbox e permissões para uso das funções, levando aos aplicativos desktop as restrições hoje comuns no mundo dos smartphones e tablets.

Se a ideia for mesmo adotada, os aplicativos ficariam num "pacote" com todo o conteúdo necessário, incluindo bibliotecas e arquivos de dados. Um arquivo manifest seria responsável por indicar as bibliotecas de dependência a nível de sistema, o que limitaria no pacote o conjunto de funções e APIs que os aplicativos podem acessar, tornando-os mais seguros.

Eles também não teriam acesso completo ou irrestrito ao sistema de arquivos dos usuários: um sistema de permissões seria aplicado. Implícito, no entanto, não intrusivo. Por exemplo, o app só receberia a imagem capturada da câmera quando o usuário realmente tirasse a foto (e não a qualquer momento). Um determinado arquivo na pasta Home só poderia ser salvo pelo app quando o usuário confirmasse clicando no botão Salvar. A experiência não seria tão diferente da atual, mas por trás da tela as coisas seriam mais seguras: sem a permissão o app não conseguiria criar nem alterar dados nas pastas dos usuários.

Um "portal" forneceria métodos de comunicação entre os apps, permitindo a troca de dados entre os mesmos - algo parecido com os intents do Android ou com o compartilhamento pela barra de charms no Windows 8.

O modelo de segurança para os apps do GNOME ainda está sendo debatido, sendo boa parte das ideias apenas um conceito. Essa mudança de paradigmas a nível de desktop deverá trazer ainda mais polêmicas para o GNOME, já que irá alterar o modo como os usuários estão acostumados a lidar com os aplicativos desktop, área até então tida como separada do mundo dos tablets e smartphones. Tudo parece caminhar para uma convergência.

20 de abr. de 2012

Noticía

Vivo e Mozilla: Brasil será o primeiro a receber aparelhos com o Boot to Gecko


A Mozilla e a Telefonica (que já pode ser considerada Vivo, para praticamente todos os fins) anunciaram hoje em São Paulo que o Brasil será o primeiro a receber celulares rodando o Boot to Gecko. Os primeiros produtos devem ser lançados entre o final do ano e o começo de 2013.
O Boot to Gecko foi comentado aqui no Hardware.com.br há muito tempo, basicamente desde que foi anunciado como rascunho. Com um kernel Linux (inicialmente teria componentes do Android) e o motor de renderização Gecko, do Firefox, o sistema oferece uma forma bem mais aberta para criação dos "apps": os aplicativos são meras páginas HTML. Há uns 3 anos atrás isso seria loucura, mas hoje em dia a coisa é bem diferente, dado o avanço do HTML 5 e CSS 3.
Em fervereiro foram divulgados no Mobile World Congress dois grandes parceiros da Mozilla na jogada: Telefonica e Qualcomm. A primeira com operação e venda de aparelhos (que agora está usando a marca Vivo) e a segunda com os SoCs. Apesar de tudo, o fabricante final do hardware não foi revelado ainda.
Há um grande ceticismo referente ao B2G, com muita razão: no estado atual as APIs da web não são suficientes para concorrer com os apps proprietários, como os do Android, iOS ou Windows Phone. O que o Boot to Gecko faz é fornecer acesso ao hardware do aparelho por meio de APIs em HTML, permitindo assim que páginas da web se comportem como aplicativos, podendo acessar mensagens, vibração, GPS, câmera, etc.
Aparentemente os aparelhos com o B2G não serão vistos como smartphones pelo público técnico, mas ficarão na categoria dos feature phones. Esse é um mercado que não recebe atenção dos entusiastas mas rende muito, já que a grande maioria dos usuários em diversos países não compram celulares tão caros. Poderá ser difícil para o B2G concorrer com o Android em aparelhos de baixo custo (como os modelos de R$ 300 a R$ 500), só vendo na prática mesmo. Outro grande concorrente se dará com os modelos mais baratos da Nokia, com a família Asha. Estes aparelhos oferecem acesso à web mas não com a mesma qualidade dos sistemas de smartphones mesmo, revivendo o bom e velho S40.
Esse vídeo divulgado em fevereiro mostra um pouco do B2G:



No fundo a proposta da Mozilla é muito boa: ela incentiva um padrão aberto, sem recursos proprietários que possam comprometer a troca de aparelho ou sistema. Os "aplicativos" do B2G devem funcionar no Firefox nos desktops e, se os sonhos da Mozilla se concretizarem, funcionarão também em qualquer outro navegador moderno.

Obs.: estou tentando encontrar um link oficial de press release, mas está difícil.

Mural de Recados